terça-feira, 10 de abril de 2012

Doce SP...

'Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas
Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
Do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue e destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe, apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas de campos, espaços
Tuas oficinas de florestas, teus deuses da chuva
Pan-Américas de Áfricas utópicas, túmulo do samba
Mais possível novo quilombo de Zumbi
E os novos baianos passeiam na tua garoa
E novos baianos te podem curtir numa boa.'

                  Adoro os versos complicados e leves de Caetano nesta canção. Ouvi pela primeira vez "Sampa" ainda no ensino médio, nas aulas de lingua portuguesa do professor nem sei qual, quando falava sobre metáfora... ainda me lembro da frase "É que Narciso acha feio o que não é espelho" e da explicação metafórica da frase que fala o que não quer falar, depois a ouvi nas aulas de história, quando meu professor explicava sobre tropicalismo, Cetano, Gil... e a influencia dos Novos Mutantes. Mas, só a entendi perfeitamente quando estive em São Paulo pela primeira vez em 2006. Pude entende-la, senti-la, vivenciá-la. e então percebi como ela é linda! e como fala de uma São Paulo grandiosa, que impõe medo... domina! mas, é encantadora em cada canto... em cada gente. Ah! como é bom passear pela leve garoa de uma tarde paulista e cruzar uma agitada Ipiranga com uma São João... Saudades!

                                                                                                                Léo mot@

segunda-feira, 9 de abril de 2012

NERD eu?


            Eu estava sem ter muito o que fazer nesse fim de semana... e resolvi procurar no google piadas de NERDs, isso porque na sexta feira passada um aluno meu me perguntou se eu era um.  Confeço que nunca tinha parado pra pensar nisso.... Então na minha pesquisa, encontrei umas piadinhas bem legais... se você tive bem lá no fundo um “q” de nerd, você vai tirar um bom sorriso dessas piadas... Aqui está uma pequena seleção das melhores que eu encontrei. Ah! e eu não sou um nerd!
1) O que o biscoito de água-e-sal era antes?
R: Biscoito de ácido e base.

explicação: Àgua e sal são produzidos por reação de neutralização que mistura ácido e base
2) Por o carbono conseguiu fugir da cadeia?
R: Porque a cadeia era aberta.

explcação: As maiores cadeia compostas por carbono saõ abertas, ou seja, tem carbonos primários... ai! chega!!!!!
3-) Havia um parque e o NH3 estava lá. Qual é o nome do assassino?
R: Amoníaco do parque!

explicação: NH3 é a formula química do Amôniaco

4) Por que não se deve armazenar café com açúcar na garrafa térmica?
R: Porque ela pode se tornar um recipiente ADIABÉTICO.

explicação: DIABETES= acumulo de açúcar
5) O que é Cl-Cl-Cl-Cl?
R: Uma cloro-fila.

explicação: Cl é o símbolo do cloro...sabe fila, um atras do outro...
6) O que é H2O24 ??
R: Água fresca.

explicação: 24=viado, fresco... entendeu né! ui!
7) Só existem 2 tipos de pessoas. Quais são?
R: As que sabem binário, e as que não sabem.

explicação: 10 é um número binário, formado por dois números 1 e 0. Essa é a pior de todas!
8.) O que é pior que cair um raio na sua cabeça?
R: Cair um diâmetro.

explicação: Geometria!!!!!!!!! tendeu? raio = metade de um diametro.
9) Como o oxigenio se suicida?
R: Pula da ponte de hidrogênio

explicação: Toda molécula aparece por ligação de pontes de hidrogenio H-H. È a morte!
10) Porque o índio é o único elemento que não se molha?
R: Porque ele está embaixo do gálio.

explicação: Os dois pertencen a mesma família na tab. Periódica. Cada um num período.... Deixa pra lá! Ah! gálio = galho de árvora, que não molha quem ta debaixo na chuva!!!
11) Qual o elemento químico mais bem informado?
R: O frâncio, porque ele está do lado do Rádio.

explicação: Elementos vizinhos no mesmo período... radio...sabe! aquele de ouvir musica...notícias. hum!
12) Por que o atrio foi ao psicólogo?
R: Porque ele estava se sentindo muito mucho.

explicação: Essa é a melhor! Àtrio e a cavidade do coração  que fica mucho quando o sangue sai do coração... mucho = tristinho, amuado, solitário.... credo!
13) Por que é um insulto muito grande chamar alguém de elétron?
R: Porque ele é negativo, é da periferia, e tem massa desprezível.

explicação:  O elétron é a caraga negativa do àtomo, que esta na parte periférica (lado de fora) e que tem massa quase nula. ou seja, preconceito puro... Boa essa!
14) O que seis carbonos e seis hidrogênios estavam fazendo na igreja?!
R: Benzeno!

explicação: Anel Benzeno é a cadeia carbônica q tem 6 carbonos e  6 hidrogenios... supostamente igual a benzer, rezar! Meu Deus!
15) Jesus disse aos seus apóstolos: “x²+3x-5=0″, e seus apóstolos espantados perguntaram: “Mas o que é isso Senhor?”. O que Jesus respondeu?
R: É só mais uma parábola…

explicação: Parábola...todo mundo conhece! lembra? ah! deixa pra lá! Jesus que piada ruim...
16) O que um álcool falou para o outro?
R: êta nóis!

explicação: O etanol é o álcool combustível mais comum. deixa pra lá eles ja estavam bebados mesmo.
17) O seno tava no banheiro, e o co-seno bateu na porta! o que o seno respondeu?
R: Tangente!

explicação: Dica 1: triângulo.... Dica 2: "tem gente!" íh fedeu!
18) Por que o Hidrogênio mora no orfanato?
R: Porque ele não tem família!

explicação: O hidrogenio é o único elemento q não tem familia na tab. Pariódica...sabe né... elemento carente...
19) O que que a célula disse pro cabeleireiro?
R: mitose

explicação: é o processo de divisão das células.... tosar=cortar o cabelo... Inda bem q ta terminando!
20 ) O que duas ondas dizem uma pra outra quando se encontram?
R: Lambda! Porque lambda é cumprimento de onda.

explicação: Essa nem eu sei! CHEGAAAAAAAAAAA!

Espero que essas piadas tenham sido motivos para umas boas risadas…;D
explicação:  ;D = piscada, ok, valeu, compreende.... kkkkkkkkkkkkkkkk

Piadas: Leo Mot@

Pérolas encontradas nas Avaliações de Química

MINHAS PÉROLAS... Opa! pérolas dos meus alunos!

                                                         Por: Prof° léo mota
Ah! Aproveitando a oportunidade e atendendo ao pedido de amigos que morrem de rir todas as vezes que mostro, posto aqui algumas das PÉROLAS feitas por meus alunos, nesses 10 anos como professor de química. Espero que você goste, e que dê boas  gargalhadas ...e principalmente,  que aprenda com os erros desses "estimados "e "criativos alunos".
Todas as respostas são verdadeiras... juro! E não foram feitas por alunos bagunçeiros ou de brincadeira, e sim por alunos desesperados por média, e que não haviam estudado absolutamente nada do conteúdo...
Tema: Elemento químico e Tabela Periódica
1.         Ne: Neurônio (Neônio)
2.         Kr: Crack (Criptônio)
3.         Sr: Senhor (Estanho)
4.         Te: Tempo (Telúrio)
5.         Sn: Estrogênio (Estanho)
6.         Rb: Rubinho (Rubídio)
7.         K: Karas (Potássio)
8.         Mg: Magnífico (Magnésio)
9.         V: Vitória (Vanádio)
10.        Mn : Menina (Manganês)
11.       Co: Colírio (Cobalto)
12.        Rh: Recursos Humanos (Ródio)
13.        Ir: Irlanda (Irídio)
14.        B: Barco (Boro)
15.        Si: Silêncio (Silício)
16.        Xe: Xerife (Xenônio)
17.        Rn: Rondônia (Radônio)
18.        Br: Brasil (Bromo)
19.        Ar: Oxigênio (argônio)
20.       Cu: Ânus (cobre)
21.        Fe: Felicidade (Ferro)
22.        Fr: França (Francio)
23.        Li: Leitura (Lítio)
24.        H: Homem (Hidrogênio)25.       
 25.      Eu: Mim (Európio)

E viva Fernando Pessoa!


 

 FERNANDO PESSOA


         Escritor português, nasceu a 13 de Junho, numa casa do Largo de São Carlos, em Lisboa. Aos cinco anos morreu-lhe o pai, vitimado pela tuberculose, e, no ano seguinte, o irmão, Jorge. Devido ao segundo casamento da mãe, em 1896, com o cônsul português em Durban, na África do Sul, viveu nesse país entre 1895 e 1905, aí seguindo, no Liceu de Durban, os estudos secundários.
Frequentou, durante um ano, uma escola comercial e a Durban High School e concluiu, ainda, o «Intermediate Examination in Arts», na Universidade do Cabo (onde obteve o «Queen Victoria Memorial Prize», pelo melhor ensaio de estilo inglês), com que terminou os seus estudos na África do Sul. No tempo em que viveu neste país, passou um ano de férias (entre 1901 e 1902), em Portugal, tendo residido em Lisboa e viajado para Tavira, para contactar com a família paterna, e para a Ilha Terceira, onde vivia a família materna. Já nesse tempo redigiu, sozinho, vários jornais, assinados com diferentes nomes.
De regresso definitivo a Lisboa, em 1905, frequentou, por um período breve (1906-1907), o Curso Superior de Letras. Após uma tentativa falhada de montar uma tipografia e editora, «Empresa Íbis — Tipográfica e Editora», dedicou-se, a partir de 1908, e a tempo parcial, à tradução de correspondência estrangeira de várias casas comerciais, sendo o restante tempo dedicado à escrita e ao estudo de filosofia (grega e alemã), ciências humanas e políticas, teosofia e literatura moderna, que assim acrescentava à sua formação cultural anglo-saxónica, determinante na sua personalidade.
Em 1920, ano em que a mãe, viúva, regressou a Portugal com os irmãos e em que Fernando Pessoa foi viver de novo com a família, iniciou uma relação sentimental com Ophélia Queiroz (interrompida nesse mesmo ano e retomada, para rápida e definitivamente terminar, em 1929) testemunhada pelas Cartas de Amor de Pessoa, organizadas e anotadas por David Mourão-Ferreira, e editadas em 1978. Em 1925, ocorreria a morte da mãe. Fernando Pessoa viria a morrer uma década depois, a 30 de Novembro de 1935 no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde foi internado com uma cólica hepática, causada provavelmente pelo consumo excessivo de álcool.

Levando uma vida relativamente apagada, movimentando-se num círculo restrito de amigos que frequentavam as tertúlias intelectuais dos cafés da capital, envolveu-se nas discussões literárias e até políticas da época. Colaborou na revista A Águia, da Renascença Portuguesa, com artigos de crítica literária sobre a nova poesia portuguesa, imbuídos de um sebastianismo animado pela crença no surgimento de um grande poeta nacional, o «super-Camões» (ele próprio?). Data de 1913 a publicação de «Impressões do Crepúsculo» (poema tomado como exemplo de uma nova corrente, o paúlismo, designação advinda da primeira palavra do poema) e de 1914 o aparecimento dos seus três principais heterónimos, segundo indicação do próprio Fernando Pessoa, em carta dirigida a Adolfo Casais Monteiro, sobre a origem destes.
Em 1915, com Mário de Sá-Carneiro (seu dilecto amigo, com o qual trocou intensa correspondência e cujas crises acompanhou de perto), Luís de Montalvor e outros poetas e artistas plásticos com os quais formou o grupo «Orpheu», lançou a revista Orpheu, marco do modernismo português, onde publicou, no primeiro número, Opiário e Ode Triunfal, de Campos, e O Marinheiro, de Pessoa ortónimo, e, no segundo, Chuva Oblíqua, de Fernando Pessoa ortónimo, e a Ode Marítima, de Campos. Publicou, ainda em vida, Antinous (1918), 35 Sonnets (1918), e três séries de English Poems (publicados, em 1921, na editora Olisipo, fundada por si). Em 1934, concorreu com Mensagem a um prémio da Secretaria de Propaganda Nacional, que conquistou na categoria B, devido à reduzida extensão do livro. Colaborou ainda nas revistas Exílio (1916), Portugal Futurista (1917), Contemporânea (1922-1926, de que foi co-director e onde publicou O Banqueiro Anarquista, conto de raciocínio e dedução, e o poema Mar Português), Athena (1924-1925, igualmente como co-director e onde foram publicadas algumas odes de Ricardo Reis e excertos de poemas de Alberto Caeiro) e Presença.

A sua obra, que permaneceu maioritariamente inédita, foi difundida e valorizada pelo grupo da Presença. A partir de 1943, Luís de Montalvor deu início à edição das obras completas de Fernando Pessoa, abrangendo os textos em poesia dos heterónimos e de Pessoa ortónimo. Foram ainda sucessivamente editados escritos seus sobre temas de doutrina e crítica literárias, filosofia, política e páginas íntimas. Entre estes, contam-se a organização dos volumes poéticos de Poesias (de Fernando Pessoa), Poemas Dramáticos (de Fernando Pessoa), Poemas (de Alberto Caeiro), Poesias (de Álvaro de Campos), Odes (de Ricardo Reis), Poesias Inéditas (de Fernando Pessoa, dois volumes), Quadras ao Gosto Popular (de Fernando Pessoa), e os textos de prosa de Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Páginas de Estética e de Teoria e Crítica Literárias, Textos Filosóficos, Sobre Portugal — Introdução ao Problema Nacional, Da República (1910-1935) e Ultimatum e Páginas de Sociologia Política. Do seu vasto espólio foram também retirados o Livro do Desassossego por Bernardo Soares e uma série de outros textos.

A questão humana dos heterónimos, tanto ou mais que a questão puramente literária, tem atraído as atenções gerais. Concebidos como individualidades distintas da do autor, este criou-lhes uma biografia e até um horóscopo próprios. Encontram-se ligados a alguns dos problemas centrais da sua obra: a unidade ou a pluralidade do eu, a sinceridade, a noção de realidade e a estranheza da existência. Traduzem, por assim dizer, a consciência da fragmentação do eu, reduzindo o eu «real» de Pessoa a um papel que não é maior que o de qualquer um dos seus heterónimos na existência literária do poeta. Assim questiona Pessoa o conceito metafísico de tradição romântica da unidade do sujeito e da sinceridade da expressão da sua emotividade através da linguagem. Enveredando por vários fingimentos, que aprofundam uma teia de polémicas entre si, opondo-se e completando-se, os heterónimos são a mentalização de certas emoções e perspectivas, a sua representação irónica pela inteligência. Deles se destacam três: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos.
Segundo a carta de Fernando Pessoa sobre a génese dos seus heterónimos, Caeiro (1885-1915) é o Mestre, inclusive do próprio Pessoa ortónimo. Nasceu em Lisboa e aí morreu, tuberculoso, em 1915, embora a maior parte da sua vida tenha decorrido numa quinta no Ribatejo, onde foram escritos quase todos os seus poemas, os do livro O Guardador de Rebanhos, os de O Pastor Amoroso e os Poemas Inconjuntos, sendo os do último período da sua vida escritos em Lisboa, quando se encontrava já gravemente doente (daí, segundo Pessoa, a «novidade um pouco estranha ao carácter geral da obra»). Sem profissão e pouco instruído (teria apenas a instrução primária), e, por isso, «escrevendo mal o português», órfão desde muito cedo, vivia de pequenos rendimentos, com uma tia-avó. Caeiro era, segundo ele próprio, «o único poeta da natureza», procurando viver a exterioridade das sensações e recusando a metafísica, caracterizando-se pelo seu panteísmo e sensacionismo que, de modo diferente, Álvaro de Campos e Ricardo Reis iriam assimilar.
Ricardo Reis nasceu no Porto, em 1887. Foi educado num colégio de jesuítas, recebeu uma educação clássica (latina) e estudou, por vontade própria, o helenismo (sendo Horácio o seu modelo literário). Essa formação clássica reflecte-se, quer a nível formal (odes à maneira clássica), quer a nível dos temas por si tratados e da própria linguagem utilizada, com um purismo que Pessoa considerava exagerado. Médico, não exercia, no entanto, a profissão. De convicções monárquicas, emigrou para o Brasil após a implantação da República. Pagão intelectual, lúcido e consciente, reflectia uma moral estoico-epicurista, misto de altivez resignada e gozo dos prazeres que o mundo lhe oferecia. Foi em vida excepcional e depois de morto, considerado o melhor poeta da linua portuguesa.

                                                                                                    VIVA FERNANDO PESSOA!


       Poemas de
       Alberto Caeiro

          XX - O TEJO É MAIS BELO
          (do "Guardador de Rebanhos" - Alberto Caeiro)
    O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
    O Tejo tem grandes navios
    E navega nele ainda,
    Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
    A memória das naus.
    O Tejo desce de Espanha
    E o Tejo entra no mar em Portugal.
    Toda a gente sabe isso.
    Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
    E para onde ele vai
    E donde ele vem.
    E por isso porque pertence a menos gente,
    É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

    Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
    Para além do Tejo há a América
    E a fortuna daqueles que a encontram.
    Ninguém nunca pensou no que há para além
    Do rio da minha aldeia.

    O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
    Quem está ao pé dele está só ao pé dele.


                                                                            Alberto Caeiro





 
      BIBLIOGRAFIA:



Lisboa
1888 - 1935

Portugal

Época:
Modernismo


 
13 de junho de 1888 - Nasce em Lisboa, às 3 horas da tarde, Fernando Antônio Nogueira Pessoa.
1896 - Parte para Durban, na África do Sul.
1905 - Regressa a Lisboa
1906 - Matricula-se no Curso Superior de Letras, em Lisboa
1907 - Abandona o curso.
1914 - Surge o mestre Alberto Caeiro. Fernando Pessoa passa a escrever poemas dos três heterônimos.
1915 - Primeiro número da Revista "Orfeu". Pessoa "mata" Alberto Caeiro.
1916 - Seu amigo Mário de Sá-Carneiro suicida-se.
1924 - Surge a Revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz.
1926 - Fernando Pessoa requere patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua. Dirige, com seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade.
1927 - Passa a colaborar com a Revista "Presença".
1934 - Aparece "Mensagem", seu único livro publicado.
30 de novembro de 1935 - Morre em Lisboa, aos 47 anos. 
        

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Um piano para os gatos

 Este texto foi publicado originalmente no blog #um piano para os gatos: <http://umpianoparaosgatos.blogspot.com.br/>
 
Um piano para os gatos
 
Por: Léo Mota*
                          Eu estava em São Paulo, quando a cena marcante me aconteceu. Era manhã de um dia qualquer, cinza e chuvoso, como as cinco manhãs que pudera aproveitar de uma São Paulo imersa em um inverno cinza e chuvoso, como uma velha fotografia enrugada. Vale ressaltar que eu estava de passagem por São Paulo rumo a Minas Gerais onde cursava minha Pós Graduação, e naquela sexta-feira, comumente igual a todos os outros dias, o hotel em que eu estava já havia fechado o horário de café da manhã, e eu havia acordado com bastante fome. Desci meio sem rumo, guiado pelo cheiro forte de fritura que vinha do quarteirão mais acima da rua bem movimentada, era uma estação rodoviária que se estendia por um tamanho monumental por todos os lados que eu pudesse ver, por cima, por baixo e de um lado ao outro, tudo começava e acabava na rodoviária. Estava escrito bem no alto, na entrada Estação Rodoviária do Tietê em São Paulo. Entrei no enorme prédio, e me deparei com um mundo a minha frente, ele era colorido e chamativo, interessante! cheio de gente... muitas cadeira de espera... Explorei todo ele... Então encontrei um café, simples e elegante, as garçonetes usavam roupas brancas e avental vermelho, não sei porque mais gosto de ser atendido por gaçons e garçonetes que não usam aventais brancos. Entre as mesas e o balcão, onde muitos viajantes tomavam seu café primeiro, alguns apressados, outros mais ainda, ali, bem no canto esquerdo, sob a luz fraca daquele dia chuvoso, estavam os personagens deste pequeno relato: Meia dúzia de gatos pretos, uma velha senhora vestida de pérola e um piano. Não sei dizer qual deles mais me encantou... Mais entre os goles de um café quente e forte pude me deleitar com a beleza daquela combinação estranha mais perfeita: um piano de calda grande e preto, que sobre as luzes fracas do sol se tornava ainda mais gigante e preto, tocado sutilmente por uma senhora pequena e perolada, que ao lado do gigante piano preto se tornava ainda mais pequena e perolada, e sobre o piano, a figura inusitada de uma meia dúzia de gatos pretos, que em meio aos dois, a senhora e o piano, não sei se por meu encanto ou minha admiração, estavam disposto seis gatos, todos pretos e perolados, os que eram pretos. A senhora perolada dizia sempre antes de cada melodia tocada, e diga-se de passagem, ela tocava maravilhosamente lindo, que aquelas musicas eram para os gatos, e os gatos pretos-perolados, pareciam corresponder imóveis e compenetrados à empregada homenagem de sua dona. Fiquei ali por umas três horas, tão fascinado quanto os seis gatinhos ao redor do piano, anotei a situação na mente e num lenço de papel, e nunca mais me esqueci daquele dia na minha vida. Foi a imagem mais marcante que pude registrar daquela cidade: seis gatos, um piano e um velha senhora, todos num clima perolado. Voltei algumas vezes a São Paulo, por diversos motivos: estudo, amor e a passeio, mas, em proposito àquele café... para rever, tristemente o úinco personagem  desta história: O pianos dos gatos, que continua tendo o mesmo fascínio de antes.

                                                                                          Léo Mota é professor das disciplinas Química e Biologia desde 2002, na Secretaria de Educaçao do Estado do Pará_ Sede: Itaituba/Pa. É um eterno apaixonado por livros e leitura.
Ler é a melhor coisa do mundo! Se o mais bruto dos viventes pudesse imaginar a maravilha e "O poder dos Livros" ele seria todo arrependimento.

Um livro sempre extrapola o espaço de si mesmo, nos leva a lugares inimagináveis. Essa parece ser a ideia do ilustrador russo Mladen Penev, criador da série “The Power of Books”, que você confere abaixo. Seja explorando universos futuristas, com escritores como Isaac Asimov,  em uma aventura subaquática, com Júlio Verne, ou investigando assassinos com Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle, o importante é que você abra um e se deixe surpreender_ do blog : http://ebooksgratis.com.br/page/2/#ixzz1PPCxOBui











Um Violino para os gatos!

UM VIOLINO PARA OS GATOS
Primeiro livro de Lucius de Mello*
(Editora Maltese) 1995














                

                     Resolvi falar deste livro em especial, no primeiro dia de minhas postagem a respeito de resenhas literárias, por ser um livro de grande importância em minha vida, ou melhor, por ser uma obra muito boa de se ler, e também por sua  contribuição para a  minha futura vida como leitor. Li o livro pela primeira vez em 1997. Peguei-o emprestado na Biblioteca Municipal de Santarém (Biblioteca Paulo Rodrigues dos Santos _Casa de Cultura) onde por muita insistência tinha carteira de sócio desde os meus 9 anos. Daquela Biblioteca, onde nunca mais estive desde os 18 anos, tomei algumas dúzias de livros emprestados... Confeço agora! roubei dois, mais por vaidade de tê-los em casa do que pelo valor literário da obra. Relutei em abandonar os clássicos infantis, mais o fiz, e em minha primeira empreitada no mundo do romance adulto, encontrei em uma prateleira de romances brasileiros, uma novidade recém-chegada.... queria que meu primeiro livro adulto, fosse novo, e esse era, e tinha um título inusitado... Um violino para os gatos, e era um livro de contos. Li em dois dias e adorei. Adorei mais ainda o conto que dava nome ao livro... era atual, diferente, comum e tinha uma linguagem nova, um clima atraente, misterioso, saboroso de descobrir a cada pagina virada, um visão mais elaborada e mais esclarecedora a respeito da natureza do homem e das suas relações.  O modo de escrever e de compor cada personagem me fez acreditar que tinha chegado tarde àquelas prateleiras do fundo da Biblioteca...  Mas, tinha feito uma boa escolha. Este livro me abriu os olhos para uma literatura ousada, forte, mas delicada e linda de se ler... O meu eu leitor havia crescido, deixado a infância e virado homem....
Quando vi a oportunidade de resenhar um livro, lembrei-me de imediato de “ Um violino para os gatos” , pois imaginei que assim como ele foi um marco para mim, também poderia ser uma boa opção de literatura inteligente para muitos jovens... Tomara que ele realmente seja. Desde aquela época, já sabia, ou aprimorava a ideia de que um livro tem sim, a capacidade de mudar a vida de uma pessoa...e de lhe apresentar uma nova forma de observar  e entender o mundo, foi assim com “Um violino para os gatos” e com muitos outros que apareceram depois...

*Lucius de Mello é Mestre em Literatura e Cultura Hebraica na Universidade de São Paulo. Pesquisador do LEER - Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação e do ARQSHOAH - Arquivo Virtual Holocausto e Antissemitismo - USP. Finalista do Prêmio Jabuti 2003 na categoria melhor reportagem/biografia com o livro Eny e o Grande Bordel Brasileiro - Ed. Objetiva (2002). Autor também do livro de contos Um Violino para os Gatos - Ed. Maltese (1995); A Travessia da Terra Vermelha - Uma saga dos refugiados judeus no Brasil - romance histórico - Ed. Novo Século(2007) e Mestiços da Casa Velha - romance - Ed. Novo Século (2008).

Léo Mota
mota.mota@bol.com.br