Este texto foi publicado originalmente no blog #um piano para os gatos: <http://umpianoparaosgatos.blogspot.com.br/>
Um piano para os gatos
Por: Léo Mota*
Eu
estava em São Paulo, quando a cena marcante me aconteceu. Era manhã de
um dia qualquer, cinza e chuvoso, como as cinco manhãs que pudera
aproveitar de uma São Paulo imersa em um inverno cinza e chuvoso, como
uma velha fotografia enrugada. Vale ressaltar que eu estava de passagem
por São Paulo rumo a Minas Gerais onde cursava minha Pós Graduação, e
naquela sexta-feira, comumente igual a todos os outros dias, o hotel em
que eu estava já havia fechado o horário de café da manhã, e eu havia
acordado com bastante fome. Desci meio sem rumo, guiado pelo cheiro
forte de fritura que vinha do quarteirão mais acima da rua bem
movimentada, era uma estação rodoviária que se estendia por um tamanho
monumental por todos os lados que eu pudesse ver, por cima, por baixo e
de um lado ao outro, tudo começava e acabava na rodoviária. Estava
escrito bem no alto, na entrada Estação Rodoviária do Tietê em São
Paulo. Entrei no enorme prédio, e me deparei com um mundo a minha
frente, ele era colorido e chamativo, interessante! cheio de gente...
muitas cadeira de espera... Explorei todo ele... Então encontrei um
café, simples e elegante, as garçonetes usavam roupas brancas e avental
vermelho, não sei porque mais gosto de ser atendido por gaçons e
garçonetes que não usam aventais brancos. Entre as mesas e o balcão,
onde muitos viajantes tomavam seu café primeiro, alguns apressados,
outros mais ainda, ali, bem no canto esquerdo, sob a luz fraca daquele
dia chuvoso, estavam os personagens deste pequeno relato: Meia dúzia de
gatos pretos, uma velha senhora vestida de pérola e um piano. Não sei
dizer qual deles mais me encantou... Mais entre os goles de um café
quente e forte pude me deleitar com a beleza daquela combinação
estranha mais perfeita: um piano de calda grande e preto, que sobre as
luzes fracas do sol se tornava ainda mais gigante e preto, tocado
sutilmente por uma senhora pequena e perolada, que ao lado do gigante
piano preto se tornava ainda mais pequena e perolada, e sobre o piano,
a figura inusitada de uma meia dúzia de gatos pretos, que em meio aos
dois, a senhora e o piano, não sei se por meu encanto ou minha
admiração, estavam disposto seis gatos, todos pretos e perolados, os
que eram pretos. A senhora perolada dizia sempre antes de cada melodia
tocada, e diga-se de passagem, ela tocava maravilhosamente lindo, que
aquelas musicas eram para os gatos, e os gatos pretos-perolados,
pareciam corresponder imóveis e compenetrados à empregada homenagem de
sua dona. Fiquei ali por umas três horas, tão fascinado quanto os seis
gatinhos ao redor do piano, anotei a situação na mente e num lenço de
papel, e nunca mais me esqueci daquele dia na minha vida. Foi a imagem
mais marcante que pude registrar daquela cidade: seis gatos, um piano e
um velha senhora, todos num clima perolado. Voltei algumas vezes a São
Paulo, por diversos motivos: estudo, amor e a passeio, mas, em
proposito àquele café... para rever, tristemente o úinco personagem
desta história: O pianos dos gatos, que continua tendo o mesmo fascínio
de antes.
Léo Mota é professor das disciplinas Química e Biologia desde 2002, na Secretaria de Educaçao do Estado do Pará_ Sede: Itaituba/Pa. É um eterno apaixonado por livros e leitura.
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